sábado, 18 de julho de 2009

dividir para multiplicar

Depois de tomar seu leite morno num gole só, o menino colocou sua xícara no criado-mudo. Puxou seu edredom até à altura do ombro e ficou de barriga pra cima, observando a sombra da amoreira que o luar fazia em seu teto. Tentava descobrir entre aquelas manchas alguma que tivesse coerência, que parecesse com alguma coisa que ele conhecesse: estrelas, um cachorro, um tabuleiro de dama.
Ali, nas suas tentativas, percebeu o frio que o silêncio naquela casa fazia. Seu pai lhe mandava dormir cedo, para poder ficar sossegado no sofá, assistindo o jornal da noite que passava só coisas que os adultos deveriam se envergonhar de terem feito e que criança não devia se espelhar nisso. Trabalhava muito e quando voltava pra casa, só havia tempo de requentar alguma coisa que sua mãe deixara para o menino jantar, porque ele estava em fase de crescimento e não podia só comer enlatados e congelados de supermercado. Não tinha muito contato com o filho, o garoto era muito reservado e tímido, assim como ele. Sua esposa faleceu subitamente de motivo ainda desconhecido havia poucos anos e sua relação com o filho não mudou muito desde então.
Nas noites como aquela, o menino se lembrava de sua mãe e de como era quente o abraço que ela lhe dava antes dele sair para escola e o quanto era gostoso o cheiro do bolo de laranja colhida da casa da avó que ela fazia para ele tomar com o leite morno. O que ele gostava mesmo era quando ela vestia o pijama flanelado nele e o colocava deitado no seu colo para lhe contar histórias. Ele sempre se via como a personagem principal: o bravo pirata, o leal rei, o inteligente detetive... nessa noite ele se lembrou da ultima que a mãe lhe contou: história esta onde ele deveria buscar o maior tesouro que existe na Terra e que quando o descobrisse, seria o responsável em dividí-lo com todo mundo que precisasse. Mas mãe, que tesouro é esse? Você já o tem, tenho certeza que ele te acompanhará por toda a vida, mesmo quando eu não puder estar aqui com você. Basta você descobrir, disse ela.
E no outro dia ele teve que aprender a aquecer seu leite e a desembaraçar o cabelo. Não foi difícil resolver aquele enigma. Sorriu e a partir dali caminhou pros próximos dias da vida carregando aquele tesouro que sua mãe havia lhe deixado, seguindo a orientação: dividí-lo para multiplicá-lo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ta. O nome do blog é não me acompanhe. Mas sempre tem um teimoso q vai aparecer depois q querer me add.
Mentira, nao fiz isso com essa intenção :P
Eu reuni todos os meus inlks de perfil que eu lembrei q tinha na internet.
Não são poucos, mas garanto que devem existir mais.
Vou acrescentar à medida que aparecerem novos ou relembrar velhos.

Com isso dá pra ver quanto tempo de vida eu desperdicei sentada na frente de uma tela de computador. =/

Quem quiser adicionar ou fuçar, tudo bem. Quem mandou eu mostrar né?


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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Não é possível

Hoje, de novo, eu chorei. Não, não são motivos novos. E para cada lágrima solitária que escorria e molhava meu travesseiro, um flashback triste.
2009 realmente vai ficar marcado. Ficarei aliviada quando ele acabar.
Nunca passei por tantas coisas chatas ao mesmo tempo. É meio 'tapa aqui, descobre ali'. Quando parece que resolveu um, la vém outro pra você se desesperar.
O dia seguinte é um mistério,não tenho a menor noção de como vai ser minha vida. Não adianta planejar nada, pois aprendi [ à força] que não posso mais basear minha alegria numa idealização.
Já teve alguém que me disse que eu 'fantasio' demais, espero o que nem tem chance de acontecer.
Faz mal sonhar? desejar, querer?
Logo logo faço 18 e se eu fizer uma retrospectiva rápida, poucos tópicos bons de se contar terão.
Eu não fiz natação, nem karatê, não comi batatas fritas com sorvete, não fui ao playcenter, não cheguei tarde depois da balada, não esperei ninguém me ligar no dia seguinte, não fiquei de recuperação nem fechei um bimestre com vermelha. Não fui ao show da Avril Lavigne, não mandei cartinha pra aquele menino da sala do lado, não fiz festinha do pijama com as amigas, não cortei franja nem fiz mechas coloridas. Nunca cheguei a comprar um harry potter [apesar de ter lido metade], não tive uma melhor amiga pra conversar durante horas ao telefone, não completei meus albuns de figurinhas, fui à festa e fiquei sentada, conversando com os pais.
Minha adolescência não foi muito gloriosa.
Se olhando para trás, as coisas já não saíam como eu esperava, então é melhor não esperar nada mesmo daqui pra frente.
O que vier, é lucro.